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Reputação no Mercado Livre: como proteger e reverter uma avaliação injusta

Os critérios que formam a sua cor, quando uma avaliação pode ser removida, o argumento que mais funciona e quando a difamação vira caso judicial.

A reputação no Mercado Livre é o termômetro público que decide a sua visibilidade e o seu volume de vendas, e uma avaliação injusta pode, sim, ser contestada. Quando ela viola as regras da plataforma (ofensa, informação falsa, ou um problema que é responsabilidade do próprio Mercado Livre), dá para pedir revisão ou remoção. Em casos de difamação ou ataque de concorrente, cabe medida judicial.

A maior parte do conteúdo sobre o tema só ensina a “melhorar a nota”. Este guia foca no que ninguém explica: como o lojista se defende de uma avaliação injusta e do que não é culpa dele.

Como a reputação funciona

O sistema usa cinco cores, do vermelho (pior) ao verde-escuro (melhor). Ele é dinâmico: reflete o desempenho recente, então melhora e piora conforme as suas últimas vendas. É por isso que uma sequência ruim derruba rápido, e uma correção consistente recupera.

Os números que definem a sua cor

Segundo os critérios do próprio Mercado Livre, a nota considera três indicadores das suas vendas: reclamações (idealmente abaixo de 1% do total), envios com atraso (abaixo de 6%) e cancelamentos feitos pelo vendedor (abaixo de 0,5%). Para quem está começando, a reputação só aparece após as primeiras 10 vendas concluídas.

Por que isso pesa tanto

A reputação alimenta o ranqueamento dos anúncios, a disputa pela buy box e a liberação de benefícios da plataforma. Poucas avaliações negativas já derrubam conversão e visibilidade ao mesmo tempo, e o efeito é composto: menos exposição gera menos vendas, o que dificulta diluir a nota ruim.

Quando uma avaliação do Mercado Livre pode ser removida

A plataforma prevê a remoção de avaliações que descumprem suas políticas. Não é qualquer nota ruim: é a nota que viola uma regra.

As hipóteses mais comuns

  • Conteúdo ofensivo, discriminatório ou com dados pessoais.

  • Texto sem relação com a compra avaliada.

  • Tentativa de extorsão, condicionando a nota a um pagamento ou vantagem.

  • Reclamação sobre algo que é responsabilidade do próprio Mercado Livre.

O argumento que mais funciona

Essa última hipótese é a mais valiosa e a menos usada. Se o atraso foi da logística do Full, o problema não é seu: a operação era da plataforma. Penalizar a sua reputação por uma falha que você não cometeu, e não podia evitar, é desproporcional. Esse é o argumento que sustenta a contestação, e ele precisa vir nomeado, não como desabafo.

O limite honesto

Vale dizer o que quase ninguém diz: avaliação negativa verdadeira não é removida, e não deveria ser. Se o produto atrasou por sua causa, veio diferente do anúncio ou o atendimento falhou, o relato é legítimo. Insistir na remoção desgasta e não resolve. O caminho ali é resolver e responder.

Como contestar dentro da plataforma

  1. Reúna as provas da venda: conversa com o comprador, código de rastreio e nota fiscal.

  2. Abra a contestação pelos canais de mediação, apontando com clareza qual regra a avaliação viola. Reclamar da nota sem indicar a regra quase sempre falha.

  3. Responda publicamente de forma educada, mostrando a solução. Quem lê a resposta é o próximo comprador, não o reclamante.

Quando vira caso jurídico

Se a avaliação traz acusação falsa, ofensa grave ou faz parte de um ataque coordenado, inclusive de concorrente, o assunto sai do painel da plataforma e vira litígio.

O que mudou com o STF em 2025

Em 26 de junho de 2025, ao julgar o Tema 987 (RE 1.037.396), o Supremo declarou a inconstitucionalidade parcial do art. 19 do Marco Civil da Internet e redefiniu a responsabilidade das plataformas por conteúdo de terceiros. Dois efeitos práticos: em crimes contra a honra, a plataforma só é responsabilizada se descumprir ordem judicial, mas nada impede que remova por notificação extrajudicial; e conteúdo idêntico já reconhecido como ofensivo em juízo deve ser removido mediante notificação, sem nova decisão para cada réplica.

O que pedir

Na ação, pede-se a remoção do conteúdo e a indenização pelos danos, inclusive os patrimoniais decorrentes da queda de vendas. A prova de que o fato é falso é o que sustenta tudo: prints datados, histórico da venda, rastreio e, quando há padrão coordenado, o levantamento das contas envolvidas.

Ataque de concorrente: como identificar

Existe diferença entre cliente insatisfeito e sabotagem. Sinais que costumam aparecer juntos: várias avaliações negativas em curto intervalo, contas novas ou sem histórico de compra, textos parecidos entre si, reclamação sobre defeito que o produto não tem, e menção a concorrente. Isolados não provam nada. Somados e documentados, formam padrão, e padrão é prova.

Como prevenir avaliações ruins

Descrição fiel do produto, prazo de envio realista, atendimento rápido e pós-venda ativo reduzem drasticamente as notas ruins. E quando um problema surge, resolver antes do prazo costuma reverter a avaliação. A maioria das notas negativas é sobre expectativa, não sobre produto.

Quando conversar com um advogado

Se a sua reputação despencou por avaliações injustas, por um ataque de concorrente ou por falhas que são da própria plataforma, vale uma análise técnica antes que o prejuízo se acumule.

A Koyama Advogados é um escritório especializado em e-commerce e marketplaces, e reputação é um ativo que se defende com técnica. Se a sua nota despencou por avaliação injusta, ataque de concorrente ou falha da própria plataforma, avaliamos as provas. e orientamos a contestação. Atendemos vendedores em todo o Brasil.

Perguntas frequentes

O Mercado Livre remove qualquer avaliação negativa?
Não. Remove as que violam as políticas: ofensa, dado falso, texto sem relação com a compra, extorsão ou problema de responsabilidade da própria plataforma. Avaliação negativa verdadeira não é removida.
Posso ser penalizado por um atraso que foi do Mercado Envios ou do Full?
Falhas de responsabilidade do próprio Mercado Livre não deveriam derrubar a sua reputação. Isso é base para contestar a avaliação, e é o argumento que mais funciona quando bem documentado.
Posso processar quem me avaliou de forma falsa?
Sim, quando há acusação falsa, ofensa grave ou difamação. Cabe pedir remoção e indenização, inclusive pelos danos decorrentes da queda de vendas, com prova de que o fato é falso.
Preciso de ordem judicial para remover avaliação difamatória?
Após a decisão do STF no Tema 987 (26/06/2025), em crimes contra a honra a plataforma só responde se descumprir ordem judicial, mas pode remover por notificação extrajudicial. Conteúdo idêntico já reconhecido como ofensivo em juízo deve ser removido mediante notificação.
Como recupero minha reputação depois de resolver o problema?
O termômetro é dinâmico e responde ao desempenho recente. Corrigidos os índices de reclamação, atraso e cancelamento, e com novas vendas bem avaliadas, a cor tende a se recuperar.

Jean Koyama

Sócio na Koyama Advogados: Lidero um escritório Full Service de vanguarda com sede em Campinas/SP e atuação digital em todo o Brasil, América do Norte e Europa. Com forte especialização no ecossistema de Tecnologia, E-Commerce e Negócios Digitais.

OAB/SP 391.607
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